Incentivo ao algodão sustentável

O algodão continua a ser a fibra mais usada no setor têxtil em todo o mundo e no Brasil. O país ocupa a posição de quinto maior consumidor mundial do produto e de terceiro maior produtor. Como ocorre com o restante da indústria da moda, a Ásia domina mais da metade da produção e consumo.

A matéria-prima entrou na mira das organizações socioambientais pelo uso intensivo de água e de agrotóxicos agressivos ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores rurais e famílias.

A solução, na visão das organizações socioambientais, está no algodão orgânico e no que é certificado por entidades como a Better Cotton Initiative (BCI). No entanto, a matéria-prima produzida em condições sustentáveis representa apenas 1% do volume do que é comercializado no mundo. Para melhorar esse número, a C&A assumiu dois compromissos.

Para a própria empresa, ficou estabelecida a meta global até 2020 de ter em seus produtos 100% de algodão sustentável. A companhia já é a maior usuária desse tipo de algodão no mundo.

Já as entidades ligadas às iniciativas sociais da marca devem concentrar esforços para estimular a produção e consumo do algodão sustentável para alcançar o patamar de 15% em 2020.

A experiência iniciada pela C&A e suas entidades pode ser conhecida no documentário For the Love of Fashion (Por amor à moda), feito em parceria com o canal de TV a cabo da National Geographic.

Apresentado por Alexandra Cousteau, neta do ambientalista francês Jacques-Yves Cousteau, o filme de 45 minutos aborda o cultivo do algodão orgânico e o impacto de seu uso nos produtos levados ao consumidor.

No Brasil, o Instituto C&A encontrou uma situação ambígua. O país se tornou o principal produtor de algodão com certificação BDI no mundo, um movimento originado entre os grandes produtores. No entanto, a sociedade e o mercado não sabem disso e os produtores não conseguem usufruir dessa vantagem em termos de valor agregado ou reputação.

Quanto à produção de algodão orgânico, concentrada no Nordeste, trata-se de uma atividade típica de pequenas propriedades e vem sendo difundida a passo de tartaruga.

Por isso, no Brasil, a tarefa não consiste apenas em incentivar a produção, mas também a demanda da indústria da moda pelo algodão sustentável, fundamental para aumentar o interesse dos grandes produtores e dar segurança de venda para os pequenos.

Como se vê, há um longo caminho pela frente. Pelas experiências vividas por outras cadeias de produção, como a do aço, a conquista da sustentabilidade pelo indústria da moda pode levar até 10 anos. Será uma tarefa principalmente para quem faz parte da geração Y, que já vem apresentando novos comportamentos tanto como consumidora quanto empreendedora.

Fonte: Diário do Comércio – Sustentabilidade

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